terça-feira, 23 de abril de 2013

Corrupção e impunidade

Para aqueles que acham que corrupção e impunidade só acontecem no Brasil, sinto muito desapontá-los. Acontece também na, por enquanto, maior economia do planeta. Para quem tiver interesse, indico o livro "O sequestro da America - Como as corporações financeiras corromperam os Estados Unidos".

O livro de Charles H. Ferguson, diretor do premiado documentário "Inside Job" mostra como os banqueiros, lobistas e políticos se locupletaram e continuam se locupletando através da crise financeira. A sinopse do livre já nos dá uma clara ideia:

Baseado em uma série de documentos judiciais recentemente divulgados, "O Sequestro da América" detalha a extensão dos crimes cometidos na especulação frenética que causou o crack em 2008. Defendendo a tese de que, a partir da administração Reagan, nos anos 1980, os dois maiores partidos políticos americanos se tornaram reféns da elite mais rica e voraz do país, o autor demonstra como a administração Clinton desmantelou os controles regulatórios que protegiam o cidadão médio dos financistas gananciosos; como a equipe de Bush destruiu a base da receita federal, com seus cortes de impostos grotescamente distorcidos a favor dos ricos; e como o primeiro governo de Obama permitiu que criminosos financeiros continuassem a operar sem controle, mesmo depois das supostas "reformas" implementadas após o colapso de 2008.


Abaixo, transcrevo um trecho da página 56 que mostra a promiscuidade entre os assuntos públicos e privados:

"O governo Clinton também demosntrou crescente despudor na porta giratória de empregos. Robert Rubin ingressou no governo Clinton saindo do Goldman Sachs, e ao pedir demissão como secretário do Tesouro em 1999 tornou-se vice-presidente do Citigroup, cuja fusão havia sido legalizada por uma legislação que ele defendera. Laura Tyson, presidente do Conselho Econômico Nacional, entrou para o conselho de administração do Morgan Stanley pouco depois de deixar o governo. Tom Donilon, chefe de gabinete do Departamento de Estado, se tornou o principal lobista da Fannie Mae pouco após sua saída. Franklin Raines, chefe do Escritório de Administração e Orçamento, tornou-se CEO da Fannie Mae, onde se envolveu profundamente em suas fraudes contábeis. Michale Froman e David lipton, dois altos analistas de política econômica, foram para o Citigroup. Após ter sido o último secretário do Tesouro de Clinton, Larry Summers se tornou presidente de Harvard, ao mesmo tempo prestando consultoria para um grande fundo de hedge, o Taconic Capital. Após dois votos de desconfiança do corpo docente, Summers foi obrigado a renunciar ao cargo de presidente de Harvard, momento em que entrou para um fundo de hedge maior, o D.E. Shaw, e começou a fazer palestras para instituições financeiras que renderam a ele milhões de dólares por ano."